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O Estado de Mato Grosso do Sul desapropriou extensa fazenda pertencente à massa falida de XPTO Empreendimentos Ltda. Sobre o imóvel, recaía dívida propter rem (passivo ambiental). Para fins de registro do título translativo referente à desapropriação, explique as implicações de tal onus propter rem sobre o preço/cálculo da justa indenização, à luz, minimamente, das disposições do Decreto Lei n° 3.365/1941 aplicáveis, do regime falencial a que se sujeita a expropriada (notadamente quanto a eventuais compensações) e da forma de aquisição da propriedade (originaria ou derivada).
(1 pontos)
(30 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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Por ocasião da proximidade da Copa do Mundo, um food truck, devidamente autorizado a ocupar uma praça pública, solicitou à Secretaria Municipal competente de determinado Município autorização complementar para instalar mesas, cadeiras e um telão em frente ao seu estabelecimento.
Mas, antes da análise do pedido administrativo, e em razão da realização de jogos do Campeonato Brasileiro, decidiu seguir com a instalação dos equipamentos imediatamente.
No exercício da fiscalização, os agentes do Município constataram que o trailer manteve, nos 15 (quinze) dias anteriores, as mesas, cadeiras e telão na praça pública sem a devida autorização administrativa.
Diante disso, decidem aplicar, em um único auto de infração, sanção pecuniária prevista em lei, multiplicada por 15 (quinze), correspondente ao número de dias em que a irregularidade foi constatada.
Ao contestar a infração, o proprietário do food truck afirmou que teria direito a ocupar o espaço público desde a data de apresentação do pedido de autorização. Argumentou, ainda, que seria necessária a aplicação de multa única, e não de múltiplas penalidades.
A Secretaria Municipal consulta sua Procuradoria acerca da validade da autuação e dos argumentos apresentados na defesa.
Como Procurador desse Município, oriente o órgão sobre a resposta a ser dada.
(30 pontos)
(60 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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O Município do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal competente, celebrou, em 2024, o Contrato de Concessão Comum nº 04/2024 com a LUMITEC CARIOCA ("LUMITEC" ou "Concessionária"), vencedora da Concorrência CO - nº 002/2023. O contrato tem por objeto a prestação dos serviços de modernização, gestão e operação do Sistema Municipal de Iluminação Pública.
A LUMITEC é composta por dois sócios: SOLAR INVESTIMENTOS ("SOLAR"), detentora de 51% do capital votante, e CORCOVADO PARTICIPAÇÕES LTDA. ("CORCOVADO"), titular dos 49% restantes. Em outubro de 2025, ambos celebraram instrumento particular com o FUNDO IBERLUZ ("IBERLUZ"), pertencente ao grupo econômico da IBERLUZ INTERNATIONAL, maior operadora de iluminação pública da América Latina, visando à transferência da totalidade de suas participações societárias. Com a operação, o IBERLUZ passaria a deter 100% do capital votante da LUMITEC, assumindo seu controle direto.
A Concessionária comunicou o fato à Secretaria, assegurando que não haveria prejuízo à capacidade técnica, operacional e financeira necessária ao cumprimento do contrato.
O Edital da Concorrência CO - nº 002/2023 e o Contrato de Concessão nº 04/2024 são silentes quanto à cessão, transferência ou modificação do controle acionário da Concessionária, não havendo cláusula expressa autorizando ou proibindo tal operação.
A operação foi contestada administrativamente pelo Consórcio BRILHARIO, segundo colocado na Concorrência CO - nº 002/2023, que requereu:
(i) a não autorização da transferência, sob alegação de suposta burla ao procedimento licitatório; e
(ii) a decretação de caducidade da concessão, com consequente convocação dos demais licitantes classificados para eventual assunção do serviço.
Como Procurador do Município, analise se a transferência do controle acionário da LUMITEC ao IBERLUZ é juridicamente admissível, elencando os requisitos que a Secretaria deve verificar para conceder ou negar a operação proposta, à luz da legislação e da jurisprudência.
(40 pontos)
(60 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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O Ministério Público ajuizou ação civil pública em face de determinado Município, em virtude de deslizamentos geológicos ocorridos em uma de suas comunidades.
No curso do processo foi realizada perícia, tendo o expert apresentado laudo que atestou a existência de instabilidade na encosta da região, elencando as medidas necessárias a serem adotadas para sua estabilização, e estipulando prazos para a realização das obras recomendadas.
O Juízo da Vara da Fazenda Pública julgou o pedido procedente e, no dispositivo da sentença, determinou ao ente municipal obrigação de fazer, transcrevendo a conclusão da prova técnica produzida nos autos e fixando multa diária, em caso de descumprimento, nos seguintes termos:
(i) realizar as obras de engenharia para contenção e estabilização de encostas;
(ii) implementação integral de um Plano de Contingência, suprindo as falhas apontadas pelo expert em 30 (trinta) dias; e
(iii) realizar plano de recuperação ambiental e reflorestamento das áreas degradadas, acompanhado de medidas de fiscalização urbana rigorosa para impedir o avanço de novas construções sobre taludes instáveis, combatendo a negligência municipal detectada pela perícia, no prazo de 30 (trinta) dias.
O Município foi devidamente intimado da sentença e o processo lhe foi encaminhado.
Na condição de Procurador, apresente fundamentadamente os argumentos que devem ser articulados na apelação, à luz da legislação aplicável, da doutrina, dos princípios e da jurisprudência pertinente.
(30 pontos)
(60 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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Considere as seguintes situações hipotéticas:
I - Em meio a tumulto ocorrido em manifestação popular, que resultou em conflito entre manifestantes e agentes de segurança pública do Estado, determinado profissional de imprensa foi gravemente ferido, enquanto realizava a cobertura jornalística do evento. Tendo o ferimento o incapacitado para o exercício do ofício, pleiteou o pagamento de uma pensão vitalícia, à qual o Estado, contudo, se opôs, sob a alegação de ter o próprio jornalista assumido o risco pelos ferimentos sofridos, ao continuar cobrindo o evento, após instaurado o conflito.
II - Explosão ocorrida em imóvel situado em zona residencial de determinado município ocasiona a morte de um casal e ferimentos graves em outras pessoas, além de danos a veículos estacionados na via e a imóveis vizinhos. Em sede de inquérito policial, constata-se que a explosão se deu ao armazenamento irregular de grande quantidade de fogos de artifício destinados à comercialização no imóvel, para o qual o referido casal havia se mudado cerca de seis meses antes. As pessoas feridas e os proprietários de veículos e imóveis atingidos pretendem obter indenização pelos danos materiais e morais sofridos, diante da inexistência de fiscalização da atividade irregular pelo poder público.
À luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, responda, justificadamente, em relação a cada uma das situações, se haveria condições para a caracterização da responsabilidade civil do Estado pelos danos sofridos pelos particulares, nos termos pretendidos pelos respectivos interessados.
(1 ponto)
(30 linhas)
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Você, na qualidade de Procurador Legislativo, foi instado a se manifestar sobre duas situações em curso, que demandam a atenção do Poder Legislativo do Estado Alfa.
Veja:
i) A Assembleia Legislativa do Estado Alfa publicou, em observância às formalidades constitucionais e legais, edital de concurso público visando ao preenchimento de 20 (vinte) cargos públicos de analista. Encerrado o certame, foram aprovados 20 (vinte) candidatos, sendo certo que a Casa Legislativa, de imediato, nomeou e empossou 10 (dez) novos servidores. Contudo, durante o prazo de validade do referido concurso público, constatou-se a superação do limite prudencial de gastos com pessoal, nos termos da Lei Complementar que regulamenta a referida temática. Houve, assim, de forma devidamente motivada, a superveniente extinção dos 10 (dez) cargos sobressalentes, oferecidos no edital do concurso público, gerando forte inconformismo e questionamentos por parte dos candidatos aprovados dentro do número de vagas.
ii) Em razão de complexa e estrutural situação na segurança pública no Estado Alfa, há um planejamento em curso para se proceder à edição de lei estadual autorizando a contratação, por tempo determinado, de policiais penais, com o intuito de atender à necessidade temporária de excepcional interesse público.
Com base no cenário hipotético narrado, responda, de forma fundamentada, aos questionamentos a seguir, à luz das disposições da Constituição Federal, da jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal (STF) e do entendimento doutrinário prevalecente, dispensando-se a forma de parecer.
a) Conceitue e diferencie os institutos do provimento originário, do provimento derivado e do desprovimento, indicando três modalidades de provimento derivado e de desprovimento.
b) Os 10 (dez) candidatos aprovados dentro do número de vagas no concurso público realizado pela Assembleia Legislativa do Estado Alfa que ainda não foram convocados têm direito subjetivo à nomeação? Fundamente.
c) Indique os requisitos que devem estar presentes para que o Poder Público efetive, em geral, contratações temporárias e aponte se a legislação planejada, caso venha a ser editada, estará de acordo com a ordem jurídica.
(10 pontos)
(30 linhas)
A prova foi realizada sem consulta a códigos e(ou) legislação.
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O Município de Aurora do Norte editou lei autorizando a contratação temporária de pessoal, por até 36 meses, para o desempenho de atividades rotineiras e permanentes da administração, como atendimento administrativo, protocolo, apoio escolar e serviços gerais. A justificativa legislativa indicou apenas a necessidade de conferir maior agilidade à gestão e de evitar a demora inerente à realização de concurso público. Com fundamento nessa lei, o prefeito iniciou sucessivas contratações temporárias para funções ordinárias, sem demonstrar qualquer situação emergencial específica. Um cidadão, inconformado, questionou a constitucionalidade da lei e dos atos de contratação. À luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir.
a) A lei municipal é compatível com a Constituição?
b) Quais requisitos constitucionais devem estar presentes para que a contratação temporária seja válida?
b) A contratação temporária pode ser utilizada para suprir necessidade administrativa permanente?
(1 ponto)
(15 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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A ADPF 1060 foi ajuizada pelo Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), visando a reparar uma violação histórica e sistemática de direitos humanos perpetrada pelo Estado brasileiro entre as décadas de 1920 e 1980. A política sanitária estatal de combate à hanseníase impunha o isolamento compulsório dos doentes em hospitais-colônia e, ato contínuo, a separação forçada de seus filhos, muitos recém-nascidos, que eram enviados para instituições (preventórios) ou entregues a terceiros.
Esses filhos, hoje adultos ou idosos, alegaram ter sofrido danos irreparáveis, incluindo perda de identidade, ruptura de vínculos familiares, abusos físicos e psicológicos nas instituições estatais e estigma social.
O cerne da demanda era o art. 1º do Decreto n. 20.910/1932, que estabelece que "todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem".
A aplicação literal dessa norma inviabilizaria qualquer pretensão indenizatória atual, pois os fatos ocorreram há décadas. Argumentou-se que aplicar a prescrição quinquenal a essas vítimas seria uma nova violação, pois, à época dos fatos, eram crianças/adolescentes absolutamente vulneráveis, tutelados pelo próprio Estado que violava seus direitos, impossibilitados faticamente de litigar.
Pediu-se o reconhecimento da imprescritibilidade para essas ações específicas, invocando a dignidade da pessoa humana, a vedação à tortura e a proteção prioritária à criança (art. 227 da CF).
Explique a posição do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, detalhando a tese fixada e, ao final, opine sobre tal posicionamento, justificando.
(1 ponto)
(30 linhas)
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Parlamentar apresenta notícia-crime perante o órgão especial do Tribunal de Justiça, buscando apuração de fatos que, em tese, constituiria crime praticado por agente do Estado com foro no Tribunal de Justiça. No âmbito dessa notícia-crime, o Tribunal de Justiça assentou a premissa sobre a titularidade exclusiva do Ministério Público na persecução penal pública, destacando não caber ao Judiciário essa análise. Encaminhados os fatos ao órgão competente do Ministério Público, examinou-se a matéria e determinou-se o arquivamento da notícia de fato, por entender não haver razões para a instauração de procedimento investigatório, pois não se demonstrou infração penal nem indicativo idôneo de sua existência. Apesar do arquivamento, foi instaurado procedimento administrativo ético disciplinar na Comissão de Ética Pública do Estado, com base nos mesmos fatos noticiados, imputando-se ao suposto autor possível conflito de interesses e violações ao Código de Ética do Estado, o que poderia redundar em sancionamento administrativo. Instado a se defender, o apontado autor das faltas administrativas apresentou defesa e argumentou que os fatos já haviam sido examinados pelo Ministério Público. Com a continuidade do procedimento administrativo disciplinar, o apontado autor ajuizou ação judicial visando o trancamento do processo administrativo disciplinar.
Discorra sobre a relação entre as instâncias penal e administrativa sancionadora, analisando, especialmente, situações em que ambas são acionadas para valorar os mesmos fatos.
(1 ponto)
(20 linhas)
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Tramita em determinada Promotoria de Justiça inquérito civil instaurado para apurar a conduta de servidores públicos efetivos municipais. Constatou-se, após regular instrução, que os investigados, de forma habitual e ao longo de quase uma década, descumpriram substancialmente a carga horária de trabalho prevista em lei e em seus respectivos editais de ingresso ao serviço público. Durante todo o período apurado – que teve início muito antes de 2021 e se estendeu até o ano de 2023 –, os servidores não cumpriram a jornada integral e perceberam a totalidade da remuneração atribuída aos seus cargos, dedicando o tempo subtraído do serviço público a atividades privadas remuneradas.
Considerando a moldura fática apresentada e a disciplina da Lei n. 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa) após as alterações promovidas pela Lei n. 14.230/2021, bem como a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), discorra fundamentadamente sobre:
a) a tipificação da conduta no atual procedimento aplicável, com enfoque na demonstração do elemento subjetivo exigido pela lei vigente para a configuração do ato ímprobo;
b) o regime de tutela provisória aplicável para a decretação da indisponibilidade de bens dos investigados, especificando seus requisitos materiais e limites financeiros; e
c) o regramento prescricional aplicável às sanções e ao ressarcimento ao erário diante do conflito de leis no tempo.
(1 ponto)
(20 linhas)
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