124 questões encontradas
A Fundação Pública ABC, responsável institucionalmente por auxiliar pessoas integrantes do sistema prisional a se reposicionarem no mercado de trabalho, adquiriu insumos necessários ao desenvolvimento, em sua sede, de cursos voltados à capacitação de pessoas submetidas ao regime fechado de cumprimento de pena para atuação no setor da construção civil, como pedreiros, pintores e eletricistas.
Após a realização de auditoria operacional, a área técnica do Tribunal de Contas do Estado emitiu relatório alertando para a existência de irregularidades nas contratações, sob o fundamento de que os procedimentos não foram precedidos de licitação, o que justificaria a imediata anulação dos contratos. Apontou, ainda, que a irregularidade das contratações imporia ao gestor público o dever de não realizar qualquer pagamento em favor das empresas contratadas, sob pena de assunção de responsabilidade pessoal.
Preocupados com o teor do relatório e temendo a possibilidade de responsabilização pessoal, os agentes de contratação solicitaram ao setor jurídico da fundação a emissão de parecer, a fim de subsidiar as medidas a serem adotadas na execução contratual. Informam que as aquisições, de fato, não observaram as disposições da Lei no 14.133/21, sob a justificativa de que a entidade, embora seja uma fundação pública, possui personalidade jurídica de direito privado, o que afastaria a incidência das normas da referida lei, entendimento que, segundo relatam, já teria sido chancelado pelo próprio Tribunal de Contas em julgamentos de contas da fundação em exercícios anteriores.
Acrescentam, ainda, que há preocupação prática com a eventual interrupção do fornecimento dos produtos, por serem essenciais à continuidade dos programas de capacitação, bem como com os problemas operacionais que poderão advir caso não seja realizado o pagamento aos fornecedores.
Diante desse contexto, solicita-se a elaboração de parecer que examine aos seguintes questionamentos:
i. A fundação pública de direito privado sujeita-se às regras da Lei nº 14.133/21?
ii. O Tribunal de Contas pode determinar diretamente a anulação dos contratos administrativos em curso?
iii. Os agentes de contratação devem ser responsabilizados pelos eventuais atos ilícitos praticados? Com base na legislação vigente e na jurisprudência dos Tribunais Superiores, elabore Parecer sobre a matéria. Fica dispensada a elaboração de relatório.
(40 pontos)
(90 linhas)
A prova foi realizada sem consulta a códigos e(ou) legislação.
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Com a posse do novo Governador do Estado Alfa, foi determinada a realização de auditoria nos ajustes firmados nos últimos quatro anos, pelos órgãos da Administração Pública Direta, com organizações da sociedade civil, assim consideradas as entidades privadas sem fins lucrativos que não distribuam quaisquer benefícios às pessoas a elas vinculadas, e que aplicavam integralmente, na consecução do seu objeto social, o benefício econômico obtido. Os ajustes auditados tinham por objeto formas de atuação conjunta propostas pela Administração Pública, tendo sido celebrados com organizações que não detinham a qualificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público, cujo objetivo era a consecução de fins de interesse público e recíproco na área de educação de pessoas carentes, sendo transferidos recursos públicos para a efetivação desse objetivo.
Ao fim dos trabalhos de Auditoria, concluiu-se pela existência de vício formais insanáveis no convênio celebrado com a organização não governamental Sigma, o que decorreria da forma do ajuste; e da existência, entre os seus dirigentes, de pessoa que fora julgada inabilitada para o exercício de cargo em comissão, considerando que o prazo de inabilitação, ainda em curso, já tinha se iniciado por ocasião da celebração do ajuste, o que aponta para a ilicitude dessa celebração. Por essa razão, foi instaurado processo administrativo visando à extinção do ajuste, sendo devidamente instruído com relatório integral da Auditoria. Após ser assegurada a manifestação preliminar de Sigma, o Governador do Estado decidiu suspender esse repasse, embora ainda faltasse um ano para a extinção do ajuste pelo decurso do tempo. Essa decisão foi amparada por parecer da Procuradoria-Geral do Estado e em virtude do disposto na Lei estadual nº X/1987, que autorizava o Chefe do Poder Executivo, responsável pela celebração de ajustes caracterizados pela convergência de interesses, a suspender liminarmente o repasse de recursos públicos sempre que fossem detectados vícios insanáveis na sua celebração.
A partir de representação da Organização Não Governamental Sigma, o Tribunal de Contas do Estado Alfa reconheceu a juridicidade do ajuste e determinou o restabelecimento dos repasses, tendo entendido que a sua suspensão foi lastreada em razões incompatíveis com a sistemática constitucional. Por entender que essa determinação lhe impunha uma obrigação de praticar a injuridicidade, sendo prejudicial aos interesses do Estado Alfa, o Governador do Estado, dias após a sua notificação, por intermédio da Procuradoria-Geral do Estado Alfa, impetrou mandado de segurança, a ser processado e julgado originariamente pelo Tribunal de Justiça do Estado Alfa. Após regular distribuição, a ordem foi denegada por unanimidade pela 1ª Câmara de Direito Público desse sodalício.
No acórdão, prolatado após o aperfeiçoamento da relação processual e a manifestação do Ministério Público, a 1ª Câmara de Direito Público apresentou os seguintes argumentos para lastrear a denegação da ordem:
a) nos contratos administrativos, vige o princípio da tipologia aberta, de modo que a denominação atribuída ao ajuste é irrelevante na aferição de sua juridicidade;
b) o princípio da personalidade das infrações obsta que sanções aplicadas aos dirigentes da organização não governamental acarretem restrições para a própria organização;
c) a decisão do Tribunal de Contas preservou a juridicidade e o ato jurídico perfeito, sendo que as pessoas jurídicas também fazem jus à proteção dos direitos fundamentais;
d) a Lei estadual nº X/1987 é incompatível com a Constituição da República, o que obsta sua aplicação no caso concreto; e, o mais importante,
e) em razão do seu caráter jurisdicional, a decisão de mérito do Tribunal de Contas não pode ser revista pelo Poder Judiciário. Por entender que o acórdão da 1ª Câmara de Direito Público era dissonante da ordem jurídica, a Procuradoria-Geral do Estado Alfa, ao ser intimada do seu teor, concluiu que o Chefe do Poder Executivo deveria ingressar com o recurso cabível para que o acórdão fosse analisado pelo tribunal nacional competente.
Elabore a peça adequada.
(50 pontos)
(150 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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Empresa pública estadual de fomento quer incentivar o desenvolvimento de tecnologias de tratamento de esgoto. Para tanto, decide criar empresa da qual seria acionista minoritária. Então, realiza chamamento público para que eventuais interessados apresentem soluções, e estabelece que escolherá o interessado com o “projeto mais inovador”. Duas candidatas apresentam propostas e a diretoria da estatal seleciona uma delas.
Antes da efetiva constituição da nova empresa, há mudança da diretoria da estatal, que decide não mais seguir com a interessada selecionada. Ademais, decide seguir com parceira que não havia se manifestado no âmbito do chamamento público.
Na qualidade de Procurador(a) do Estado cedido(a) à estatal, opine sobre a viabilidade jurídica da operação.
(50 pontos)
(Edital e caderno de provas sem informação sobre o número de linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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A Agência responsável pela regulação dos serviços de trens e metrô do Estado editou resolução que limita o consumo de alimentos e bebidas nos referidos modos estaduais de transporte. Parte das lanchonetes situadas nas adjacências das estações alega que, desde a edição das novas regras, seu faturamento caiu significativamente. Reputando a resolução ilegal e fora das atribuições do Poder Público estadual, os estabelecimentos ajuízam ação de perdas e danos em face da Agência e do Estado. Analise a viabilidade jurídica da pretensão deduzida.
(50 pontos)
(Edital e caderno de provas sem informação sobre o número de linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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À luz da organização do Sistema Único de Assistência Social – Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e considerando as diretrizes estabelecidas pela Resolução CNAS nº 109/2009, que institui a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais, analise a implantação de serviços de acolhimento sigiloso destinados a mulheres em situação de violência, abordando os desafios institucionais e operacionais para sua execução.
Em sua resposta, discuta:
a - o enquadramento desse tipo de acolhimento na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais;
b - a relação do serviço com os níveis de proteção social do SUAS;
c - os princípios de sigilo, segurança e proteção integral no atendimento às mulheres vítimas de violência;
d - a articulação intersetorial com outras políticas públicas e com o sistema de garantia de direitos, bem como a identificação do âmbito de sua implantação.
(25 pontos)
(30 linhas)
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Defina concisamente o que são e para que servem os títulos de dívida pública. O Banco de Brasília S/A, sociedade de economia mista, pode adquiri-los por ato bancário discricionário? Fundamente sua resposta na legislação.
(10 pontos)
(20 linhas)
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Descreva sinteticamente as etapas definidas na norma para que, em uma eventualidade, o Distrito Federal coloque à venda sua participação e controle acionários no Banco de Brasília S/A à iniciativa privada.
(20 pontos)
(20 linhas)
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Certo Município contratou empresa privada para a gestão das vagas de estacionamento do centro da cidade, com a previsão de cobrança e fiscalização dos carros estacionados irregularmente. Ao constatar a presença de veículo sem o comprovante de pagamento, que deveria ficar em local visível do carro, caberia à contratada fotografá-lo, lavrar um breve termo de ocorrência e encaminhá-lo à Empresa Municipal de Trânsito, sociedade de economia mista sem finalidade lucrativa, que lavraria o auto de infração, aplicando a multa de trânsito. Tendo sido multado e diante da rejeição de sua defesa, com decisão preclusa na esfera administrativa em 4/2/2020, propôs o motorista, em 7/4/2026, ação em que buscava a declaração da nulidade da multa. Sustentou, preliminarmente, a inocorrência de prescrição de sua pretensão, tratando-se de ato administrativo nulo. Quanto ao mérito em sentido estrito, ponderou que o procedimento administrativo padeceu de duas causas de nulidade, na medida em que a tanto a fiscalização quanto a sanção foram impostas por particulares, a quem não se pode delegar o exercício do poder de polícia. Como juiz, enfrente fundamentadamente a preliminar e a tese principal, concluindo pela procedência ou improcedência do pedido de anulação.
(0.50 ponto)
Edital e caderno de provas sem informação sobre o número de linhas.
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No âmbito da prestação de serviços públicos, explique o que vem a ser o contrato de programa, esclarecendo:
a - se deve ser precedido de procedimento licitatório; e
b - se ele é aplicável a todo e qualquer serviço público delegável.
(1 ponto)
(30 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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Empresa pública municipal pretende instituir um índice com objetivo de avaliar o desempenho contratual de seus fornecedores quanto à qualidade dos produtos fornecidos e dos serviços prestados e ao cumprimento dos prazos contratados.
O referido índice será utilizado em licitações futuras como:
(i) requisito de habilitação; e
(ii) critério de desempate entre propostas.
Na qualidade de Procurador do Município, manifeste-se, de forma fundamentada, sobre a juridicidade da adoção e da utilização desse índice.
(50 pontos)
(12 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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