7 questões encontradas
"Contrariamente à expectativa ativista, tal como ocorre com tudo o que é multiplicado ad nauseam, as normas, recomendações e controles internacionais para os direitos humanos falham agora também pela multiplicação infinita. [.] E preciso salvar os direitos humanos do descrédito em que se encontram em todo o mundo."
(Adaptado de: ALVES, José Augusto Lindgren. É preciso salvar os direitos humanos! Lua Nova: Revista de Cultura e Política. São Paulo, n. 86, p. 51-88; 254-255, 2012)
Os sistemas contemporâneos de proteção dos direitos humanos convivem com uma tensão permanente entre universalização normativa e seletividade material da dignidade, com distribuição desigual de riscos sociais e persistência de assimetrias que afetam grupos vulnerabilizados e/ou sub-representados. No Brasil, tais assimetrias manifestam-se de forma intensa sobre populações negras, povos indígenas, comunidades tradicionais, pessoas em situação de rua, migrantes, mulheres, crianças e adolescentes e pessoas privadas de liberdade.
Considerando esse contexto, disserte criticamente e de forma fundamentada sobre os seguintes pontos:
a. Os limites e desafios da concepção universalista de proteção dos direitos humanos frente aos instrumentos normativos específicos que visam enfrentar realidades marcadas por racismo estrutural, colonialidade e desigualdade material.
b. Repercussões práticas da fragmentação e especialização protetiva para o desenho institucional e as políticas públicas, especialmente em contextos de paises menos desenvolvidos ou municípios de pequeno porte.
(20 pontos)
(30 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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A Defensoria Pública é a instituição do sistema de justiça que tem como função assegurar o acesso a direitos por grupos vulnerabilizados, pela via judicial ou extrajudicial, no âmbito interno ou internacional. No que diz respeito aos povos indígenas, as Defensorias Públicas estaduais têm fortalecido a sua atuação a partir da superação da ideia equivocada de que toda demanda envolvendo pessoas indígenas seria de competência da Justiça Federal.
Afinal, trata-se de um grupo historicamente vulnerabilizado, com dificuldade de acesso a direitos e que preenche os requisitos para ser usuário dos serviços da Defensoria Pública. Entre os direitos dos povos indígenas constantemente violados, destaca-se o direito ao território, que não se confunde com a noção individualista de propriedade privada, possui fundamento ancestral e, no caso brasileiro, está expressamente previsto no art. 231 da Constituição Federal. O art. 232, por sua vez, reconhece a legitimidade dos povos e organizações indígenas para estar em juízo, superando o antigo paradigma que prevalecia no Direito brasileiro. Diante disso e à luz da normativa e jurisprudência nacional e internacional, analise fundamentadamente o seguinte caso:
Determinada liderança indígena busca a Defensoria Pública alegando que o Estado iniciou a realização de um grande empreendimento na área ocupada por seu povo e por eles reivindicada como território ancestral. De acordo com a liderança, há a informação de que seria iniciado o processo de retirada dos indígenas da localidade tradicionalmente ocupada por seu povo para dar prosseguimento às obras. Buscada a solução perante as instituições nacionais e esgotadas as instâncias, não houve êxito, tendo o Estado alegado que:
a) a área historicamente ocupada por aquele povo ainda não teve o seu processo de demarcação finalizado;
b) o interesse público e o direito ao desenvolvimento nacional se sobrepõem ao interesse de grupos minoritários;
c) a realização de consulta prévia prevista em Convenção Internacional ratificada pelo Estado não é obrigatória, uma vez que há lei interna posterior à ratificação relativizando o procedimento de consulta;
d) os indígenas não têm direito de ser mantidos na área reivindicada nem de serem indenizados pelo deslocamento, porque não têm título, já que o processo de demarcação, iniciado há quase três décadas, ainda não foi finalizado; e
e) como ocorreu o esgotamento dos recursos internos, não seria possível submeter o caso à jurisdição internacional, pois esta não pode funcionar como quarta instância.
Indique fundamentadamente a(s) medida(s) que poderá(ão) ser adotada(s) pela Defensoria Pública, bem como as teses apresentadas pelo Estado e os direitos do povo indígena atingido, indicando a normativa pertinente e a jurisprudência aplicável.
(6,25 pontos)
(25 linhas)
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É correto afirmar que os Direitos Humanos podem ser “direito-imunidade” e “direito-pretensão”? Justifique e exemplifique.
(15 pontos)
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