No Município de São José de Goiás, o prefeito municipal encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei destinado a criar e implementar a Procuradoria Municipal, para representação judicial, extrajudicial, assessoramento e consultoria jurídicos. Após processo legislativo, a Câmara Municipal aprovou, e o prefeito municipal sancionou, a Lei Complementar Municipal n. 01/2026, que organiza a Procuradoria Jurídica do Município e cria 3 (três) cargos de provimento efetivo de procurador(a) municipal. A referida norma previu, em seu texto, entre outras regras:
a) autorização para que as atribuições da Procuradoria Municipal sejam exercidas, isolada ou concomitantemente, por meio da instituição de quadro de pessoal composto por procuradores em cargos permanentes efetivos ou da contratação de advogados e sociedades de advogados, desde que obedecidas, neste último caso, as normas para licitações e contratos da Administração Pública;
b) autorização para que advogados privados ocupem o cargo de provimento em comissão de procurador(a)-geral do Município, chefe do órgão jurídico;
c) autorização para que tanto os procuradores efetivos como o(a) procurador(a)-geral do Município exerçam concomitantemente a advocacia privada, desde que em horários compatíveis com a função e que não atuem contra o ente municipal;
d) concessão aos(às) procuradores(as) municipais das garantias da vitaliciedade, da inamovibilidade e da irredutibilidade de vencimentos;
Ao tomar conhecimento, a Promotoria de Justiça da Comarca de São José de Goiás instaurou o competente procedimento extrajudicial e requisitou ao Município que encaminhasse a íntegra do processo legislativo e todas as informações relacionadas, o que foi atendido no prazo legal. Na condição de promotor(a) de justiça com atribuição para atuar no caso, elabore a peça cabível.
(2 pontos)
(40 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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Município Gama editou a Lei Complementar Municipal nº 100/2025, instituindo duas exações:
(i) a Taxa de Iluminação Pública (TIP), devida por todos os proprietários de imóveis urbanos, tendo por fato gerador a prestação do serviço de iluminação das vias e logradouros públicos e por critério quantitativo faixas de consumo mensal de energia elétrica;
(ii) a Taxa de Serviços Urbanos (TSU), cujo fato gerador é a prestação conjunta dos serviços de coleta, remoção e destinação final de resíduos sólidos domiciliares e de varrição, capina e limpeza dos logradouros públicos, calculada com base exclusivamente na área construída do imóvel, em metros quadrados.
Com base na Constituição Federal e na jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, responda, de forma fundamentada, aos itens a seguir.
a) É constitucional a Taxa de Iluminação Pública (TIP)?
b) Analise a constitucionalidade da Taxa de Serviços Urbanos (TSU), examinando separadamente o seu fato gerador e a sua base de cálculo.
(2 pontos)
(40 linhas)
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Ao examinar o alicerce do regime jurídico-administrativo brasileiro, assevera Gustavo Binenbojm:
Um princípio que se presta a afirmar que o que há de prevalecer sempre prevalecerá não é um princípio, mas uma tautologia. (BINENBOJM, Gustavo. Uma teoria do direito administrativo: direitos fundamentais, democracia e constitucionalização. 3. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2014, p. 325)
Aprecie criticamente a assertiva, situando-a no debate doutrinário em que se insere e concluindo de forma fundamentada.
Orientações: a resposta deverá ser desenvolvida em até 60 (sessenta) linhas, dispensada a transcrição do enunciado. Não será valorizada a resposta que se limite a endossar a assertiva ou a rejeitá-la, sem reconstruir o debate doutrinário em que ela se insere. Não serão consideradas respostas apresentadas em forma de tópicos não articulados. A citação nominal de doutrina é facultativa. O que exceder a 60ª linha não será objeto de correção.
(2 pontos)
(60 linhas)
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Explique o credenciamento, conceituando-o e detalhando as hipóteses possíveis de contratação por esse mecanismo. Seria possível se admitir a contratação de profissionais da saúde pelo Poder Público por credenciamento?
(2 pontos)
(40 linhas)
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Nos contratos de concessão de serviço público, a caducidade é a rescisão unilateral pelo Poder Público, em razão do descumprimento do contrato pelo concessionário, razão pela qual recebe o nome de sanção rescisória. Nas concessões rodoviárias e aeroportuárias, há alguma alternativa que não a instauração de processo com vistas à declaração de caducidade da concessão ao se verificar o inadimplemento da concessionaria? Se houver, explique detalhadamente.
(2 pontos)
(40 linhas)
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Disserte, de forma fundamentada, sobre o silêncio e seus efeitos jurídicos, abordando:
A) O tratamento dispensado no Código Civil, distinguindo o silêncio da declaração de vontade tácita e apresentado um exemplo de cada uma dessas situações previstas no referido diploma legal;
B) O tratamento conferido no Código de Defesa do Consumidor.
(1,5 pontos)
(35 linhas)
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José viveu em união estável com Antônia por 20 anos, até sua morte, sem contrato de convivência, com quem teve 4 filhos: Luís, Lara, Lúcia e Líbia, todos maiores de idade. José também teve um filho de casamento anterior chamado Luan, que faleceu em 2023 e deixou dois filhos gêmeos Joaquim e Benjamim, de 8 anos de idade. Lúcia é casada com Vicente em regime de comunhão parcial de bens e mãe de Isabela, de 3 anos de idade. Líbia é pessoa com deficiência, relativamente incapaz, sujeita à curatela da genitora Antônia. Em 2024, José e Antônia fizeram a doação a Lara de um bem imóvel pertencente ao casal, quando ela se casou. José faleceu em 2026, , e deixou um veículo e um imóvel onde a família reside, adquiridos na constância da união estável. Lúcia renunciou à sua parte na herança. Com base na legislação e na jurisprudência do STF e do STJ, responda, fundamentadamente, às seguintes questões:
A. Quem são os herdeiros do de cujus e como se dará a divisão da herança a cada um?
B. A doação do imóvel feita por Antônia e José, ainda em vida, à filha Lara terá alguma implicação na herança?
C. Quais são os requisitos que devem ser cumpridos para que a renúncia de Lúcia seja válida?
D. O inventário poderá ser feito extrajudicialmente? Em caso positivo, em quais condições?
E. A companheira Antônia terá direito real de habitação em relação ao imóvel? Justifique.
(1,5 pontos)
(35 linhas)
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De acordo com os dados do IBGE e do Censo Escolar, o Município de Águas Douradas/GO possui 500 crianças de zero a três anos de idade, ao passo que apenas 50 crianças estavam matriculadas na creche no ano de 2025, perfazendo uma taxa de atendimento de 10%. No início de 2026, diversas famílias procuraram o Ministério Público solicitando atuação para conseguirem vagas na creche.
O(a) Promotor (a) de Justiça instaurou notícia de fato e expediu ofício ao prefeito solicitando informações sobre a matrícula das referidas crianças, conforme manifestação de interesse dos pais ou responsáveis. Em resposta, o município alegou a inexistência de vagas excedentes nas creches e a ausência de obrigatoriedade de providencias as matrículas, uma vez que o ensino só é obrigatório a partir de 4 anos de idade, com matrícula na pré-escola.
A) As alegações do município procedem? Justifique
B) Jurisprudência do STF sobre o direito à educação infantil para crianças de zero a cinco anos de idade; e
C) Como o Ministério Público deverá atuar na tutela coletiva para a oferta da creche, tendo em vista que diversas famílias compareceram à promotoria de justiça, inclusive como forma de assegurar a transparência e controle social na disponibilização de vagas.
(1,5 pontos)
(35 linhas)
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A empresa Rolo Ltda lançou um novo empreendimento imobiliário no Município de São João Batista/GO destinado a pessoas de baixa renda. Para tanto, valeu-se de material publicitário que anunciava falsamente prévia autorização municipal e existência de registro do loteamento no Cartório de Registro de Imóveis. Apurou-se, ainda, que o empreendimento não obteve qualquer licenciamento ambiental e apresentou estrutura absolutamente precária, destituída das infraestruturas básicas exigidas pela Lei nº6.766/79. Diante do contexto delineado, responda de forma fundamentada:
A) Na esteira da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, aponte as funções da reparação por dano moral transindividual.
B) Considerando que as vendas foram realizadas em prol de um grupo limitado de pessoas individualizáveis, é possível, no caso narrado, a imposição de indenização por danos morais coletivos?
C) Quais são os vetores que, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, devem informar a quantificação de danos morais coletivos?
D) De acordo com normativa do Conselho Nacional do Ministério Público, qual deve ser a destinação dos valores pagos a títulos de indenização por danos morais coletivos?
(1,5 pontos)
(35 linhas)
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Sobreveio o registro de uma notícia de fato, via Portal do Cidadão, nos seguintes termos: “A empresa Rolo Ltda. está fraudando licitações em todo o Estado. A sociedade empresarial mantém relações espúrias com agentes públicos e superfatura todos os contratos celebrados com o Poder Público. Em São João de Goiás/GO, o prefeito Zezinho contratou a empresa após pregão presencial realizado na sede da Prefeitura, tendo sido a empresa referida, a única licitante. Esse crime de improbidade precisa ser investigado! Dirijo-me a Vossa Excelência para que o Ministério Público: 1) instaure procedimento de investigação; 2) ouça os envolvidos e colha a prova pertinente; 3) requeira o afastamento do prefeito municipal; 4) ajuíze ação contra o prefeito e todos os demais responsáveis”.
A par do contexto delineado, o (a) Promotor (a) de Justiça oficiante instaurou inquérito civil para apuração de possível ato de improbidade administrativa praticado pelo refeito Municipal e expediu notificação para manifestação escrita. Em resposta, Zezinho requereu audiência com o Órgão Ministerial com o fim de celebração de possível acordo de não persecução cível (ANPC).
Com base no contexto trazido, responda fundamentadamente, invocando os possíveis fundamentos legais e normativos, às seguintes questões:
A) Considerando a disciplina normativa disposta pelo CNMP e a necessidade de formalização de tratativas de renegociação, quais são as providências de cunho administrativo que o (a) Promotor (a) deverá tomar?
B) O ANPC poderá ser celebrado sem a previsão de qualquer sanção prevista no artigo 12 da Lei nº 8.429/92?
C) Em caso de celebração de ANPC de colaboração, quais condições/cláusulas seriam imprescindíveis? E quais providências o(a) Promotor(a) de Justiça deverá tomar em caso de descumprimento do ajuste?
(2 pontos)
(35 linhas)
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Em junho de 2026, um dado Município, insatisfeito com a prestação de serviços pela Companhia Estadual de Saneamento, resolveu proceder à contratação direta de uma empresa privada que atua no ramo de saneamento, Na ocasião, apurou-se que o Município pretendia rescindir um contrato de programa que havia celebrado em 2009 com a Companhia Estadual e que teria ainda mais 10 (dez) anos de vigência.
Diante desse cenário, alguns vereadores procuraram o(a) Promotor(a) de Justiça para questionar a iniciativa do Poder Público Municipal, já que o ônus financeiro assumido pelo Município em caso de rescisão contratual seria consideravelmente alto, bem como que, em matéria de saneamento básico, foram instituídas Microrregiões por intermédio de lei complementar estadual.
A par do contexto delineado, responda às seguintes questões de forma fundamentada:
A) Quem é o titular dos serviços de saneamento básico?
B) A iniciativa municipal descrita de contratar empresa privada é legalmente possível?
C) O atual contrato celebrado pelo Município com Companhia Estadual de Saneamento é regular?
D) É compulsória a integração dos Municípios às Microrregiões criadas na forma do artigo 25, § 3º, da Constituição Federal?
(2 pontos)
(35 linhas)
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Durante excursão escolar, Lucas, de 12 anos, sofreu grave reação alérgica. Caio, professor responsável pelo aluno, e Helena, enfermeira contratada para acompanhar a atividade, deixaram culposamente de prestar a assistência que lhes era exigível, embora ambos possuíssem condições concretas de agir. Lucas faleceu em razão de choque anafilático.
A perícia concluiu que a intervenção tempestiva de Caio conferiria a Lucas 98% de probabilidade de sobrevivência. Quando Helena tomou conhecimento da situação, a assistência adequada proporcionaria 55% de probabilidade de sobrevivência.
Considerando demonstradas a posição de garantidor e a culpa de ambos, analise:
a) a causalidade nos crimes omissivos impróprios;
b) as teorias da evitabilidade e da diminuição do risco, explicando seus fundamentos e suas diferenças;
c) a possibilidade de imputação da morte a Caio e Helena segundo cada uma dessas teorias.
(1,5 pontos)
(35 linhas)
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Caio, após obter em fonte pública informações sobre processo judicial movido por Helena, entrou em contato com ela pelo WhatsApp, apresentando-se falsamente como advogado. Informou que a vítima teria direito a receber R$ 180.000,00, mas que, para a liberação do valor, seria necessário o pagamento prévio de R$ 20.000,00 a título de custas e tributos.
Para conferir credibilidade à narrativa, Caio produziu e enviou à vítima arquivo eletrônico que simulava decisão judicial. Induzida em erro, Helena realizou voluntariamente transferência via Pix de R$ 20.000,00 para conta bancária de titularidade de Caio.
A instituição financeira informou que a conta possuía saldo disponível de R$ 50.000,00, dos quais R$ 20.000,00 correspondiam ao valor transferido pela vítima. Não havia elementos indicando a origem ilícita dos R$ 30.000,00 restantes.
Na qualidade de Promotor de Justiça, analise fundamentadamente:
a) a tipificação penal da conduta patrimonial e o momento consumativo;
b) o tratamento jurídico-penal da falsificação do documento eletrônico; e
c) a medida imediatamente cabível sobre os valores depositados, indicando seus requisitos, finalidade e extensão.
(1,5 pontos)
(35 linhas)
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Entre os meses de março e abril de 2026, CARLOS, tio materno da criança L.M, de 09 anos de idade, por duas ocasiões, praticou abusos contra a ofendida em uma chácara da família. Na primeira ocasião, sob o efeito de álcool, CARLOS se aproximou da vítima e a abraçou, tocando em seu seio, de forma inapropriada. Na segunda oportunidade, em outro fim de semana, CARLOS chamou L.M. para buscar frutas no pomar e a abraçou por trás, tentou beijá-la, passando a mão em suas partes íntimas, bem como tentou constrangê-la a tocá-lo. Em ambas as ocasiões, a vítima se encontrava sozinha com o autor, porém, da segunda vez, ao retornar chorando do local dos fatos, interpelada por sua genitora, L.M. acabou contando o ocorrido, cujo relato também foi presenciado pela esposa de CARLOS. O Conselho Tutelar foi acionado e, após ser atendida pelos equipamentos sociais, em sede de escuta especializada, a criança confirmou todos os fatos. De posse dos respectivos relatórios, a polícia civil instaurou o procedimento investigativo competente, identificou criminalmente o autor dos fatos, providenciando, inclusive, a coleta de material biológico. CARLOS foi denunciado e condenado pela prática do crime descrito no artigo 217-A c/c o artigo 69, ambos do Código Penal, com base no teor do depoimento especial da ofendida e nos relatos judiciais das informantes. Interposta apelação pela Defesa, o decreto condenatório foi mantido. Irresignada, a Defesa interpôs Recurso Especial, alegando, em síntese: i) violação aos artigos 3º-A; 403, § 3º e 564, inciso III, alínea “d”, todos do CPP, sob a alegação de violação ao sistema acusatório, diante da ausência de alegações finais ministeriais; ii) ofensa aos artigos 14, inciso II, 215-A e 217-A, todos do CP, pretendendo a absolvição ou, ao menos, o reconhecimento da tentativa e/ou a desclassificação do delito de estupro de vulnerável para o de importunação sexual; iii) ofensa à privacidade do acusado, eis que foi identificado criminalmente, apesar de apresentar sua identidade civil; iv) contrariedade ao artigo 387, IV, do CPP, pleiteando o afastamento da indenização fixada, ao argumento de que não houve especificação do quantum pretendido na denúncia.
Analise, de forma individualizada, as alegações feitas pela Defesa em seu recurso, não sendo necessário apresentar a peça de contrarrazões recursais.
(2 pontos)
(35 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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1. Pessoa desparecida. Suspeita de homicídio. Testemunhas ouvidas indicaram um dos autores, que acabou sendo preso em flagrante por tráfico de drogas. E, em virtude das fundadas suspeitas de envolvimento no homicídio, sua prisão temporária também foi decretada, conjuntamente com a autorização de busca e apreensão, com a extração de dados dos aparelhos celulares. Encerradas as investigações, outros três autores também foram denunciados, sendo todos processados e pronunciados. Sessão Plenária do Tribunal do Júri redesignada para o dia 20/07/2026. Aos 17/07/2026, a Defesa do mesmo pronunciado que fora indicado pelas mencionadas testemunhas, peticionou, requerendo o reconhecimento da ilicitude de parte das provas produzidas nos autos, notadamente o relatório de extração de dados telefônicos, com o consequente desentranhamento e vedação de uso no julgamento. Em síntese, a Defesa sustenta que os elementos probatórios que embasaram a imputação decorreram de busca domiciliar realizada sem mandado judicial no ano de 2023, ocasião em que, além da prisão em flagrante por tráfico de drogas, foram apreendidos aparelhos celulares posteriormente submetidos à extração de dados. Argumenta que, no outro processo que apurou o tráfico de drogas, oriundo da mesma diligência policial, teria sido reconhecida a nulidade da busca e das provas dela derivadas, razão pela qual pleiteia a extensão de tal entendimento aos presentes autos. Defende, ainda, que as conversas extraídas dos aparelhos celulares e os demais elementos delas decorrentes configurariam provas ilícitas por derivação (CPP 157), inexistindo, após seu desentranhamento, suporte probatório idôneo para manutenção da acusação. Ao final, requer: (i) o reconhecimento da ilicitude da busca domiciliar, da apreensão dos aparelhos celulares e de todas as provas delas derivadas; (ii) a absolvição do acusado e sua exclusão do julgamento pelo Tribunal do Júri; (iii) subsidiariamente, o desentranhamento das provas reputadas ilícitas e a renovação do juízo de admissibilidade da acusação; e (iv) caso mantido o julgamento em plenário, a vedação de qualquer referência às provas impugnadas perante o Conselho de Sentença. Outras informações processuais: a referida Defesa foi constituída, nestes autos, no mês de janeiro de 2024, antes mesmo do recebimento da denúncia, ocorrido aos 20/03/2024. E, nos autos do processo por tráfico drogas, onde reconheceu-se a nulidade da mencionada prova, a Defesa representava o referido acusado desde o mês de novembro de 2023, cujo acórdão absolutório foi proferido, no ano de 2024, sob a justificativa de que não se fizeram presentes as “exclusionary rules”. Encontra-se apensado aos presentes autos, em que se apura o crime de homicídio, representação protocolada pela Autoridade Policial e deferida judicialmente, durante o recesso do final do ano de 2023, autorizando o afastamento do sigilo de dados armazenados nos mencionados aparelhos celulares, cujo resultado ensejou a confecção do Relatório de Investigação Policial, também no final do ano de 2023. E, com base neste Relatório, a Autoridade Policial obteve uma nova autorização judicial, no início do ano de 2024, nestes autos, em que se apura o homicídio, permitindo-se o afastamento do sigilo de dados.
Como Promotora(o) de Justiça discorra sobre os argumentos aduzidos pela Defesa, sem necessidade de elaboração da peça processual.
(2 pontos)
(30 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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“A” foi aprovado no vestibular para o curso de Medicina. No primeiro dia de aula, ao entrar no banheiro, foi abordado por três veteranos, que afirmaram que ele não escaparia do “tradicional trote” dos calouros. Um deles imobilizou “A” por trás, outro retirou-lhe a roupa e o terceiro tocou em suas partes íntimas e introduziu o dedo em sua região anal. Enquanto isso, os três veteranos riam, e a vítima gritava para que a soltassem. Assim que “A” foi liberado, os veteranos disseram que tudo não passava de uma brincadeira de boas-vindas à universidade. Analise, de forma fundamentada e com base na jurisprudência mais recente do STJ, a responsabilidade penal dos veteranos, sem necessidade de discorrer sobre o concurso de pessoas.
(1,5 pontos)
(35 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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O réu foi condenado pela prática do crime de homicídio simples. Na primeira fase da dosimetria da pena, o magistrado elevou a pena-base acima do mínimo legal, considerando desfavoráveis as circunstâncias judiciais da culpabilidade e da conduta social. Para tanto, fundamentou a valoração negativa da culpabilidade na elevada censurabilidade da conduta do réu, afirmando que, embora pudesse agir de outro modo, optou por ceifar a vida da vítima. Em relação à conduta social, fundamentou a exasperação da pena na existência de condenação criminal definitiva anterior, não apta a caracterizar a reincidência, pois, à época da prática do homicídio, já havia transcorrido o período depurador de cinco anos.
Inconformado, o réu interpôs recurso de apelação. Sustentou a ausência de fundamentação idônea para a valoração negativa da culpabilidade e a impossibilidade de utilização da condenação criminal definitiva anterior para fundamentar a circunstância judicial da conduta social. Ao final, requereu a redução da pena-base ao mínimo legal.
Ao julgar o recurso, o Tribunal de Justiça manteve a valoração negativa da culpabilidade, acrescentando que o réu havia aguardado a vítima, armado, em via pública, agindo com extrema frieza e premeditação, circunstâncias que evidenciariam grau de reprovabilidade superior ao inerente ao crime de homicídio e justificariam a exasperação da pena-base.
O Tribunal reconheceu, ainda, que a condenação criminal definitiva mencionada na sentença, de fato, não poderia fundamentar a valoração negativa da conduta social. Todavia, entendeu que essa mesma condenação poderia ser considerada para valorar negativamente a circunstância judicial dos antecedentes criminais, mediante mero reenquadramento jurídico, razão pela qual manteve inalterada a pena-base fixada na sentença.
À luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, analise a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça.
(1,5 pontos)
(30 linhas)
A prova foi realizada com consulta a códigos e(ou) legislação.
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